Descobrimos que temos um imenso Fosso Econômico no Pais.

A Pandemia do Covid19, descortinou uma realidade brasileira que estava escondida sorrateiramente sob o manto escuro da informalidade. O Governo Federal, através de números obtidos com o IBGE, dos dados do Bolsa Família e do CAGED referentes aos empregados com carteira assinada, apostou que haveria em torno de 35 milhões de brasileiros que poderiam ter direito a ajuda emergencial de R$ 600,00 (seiscentos reais).

Mas a realidade demonstrou que houve mais de 75 milhões de pessoas que se cadastraram para receber o beneficio, causando um desequilíbrio e um assombro no Ministério da Economia, com o numero assustador de pessoas que atuam na chamada informalidade econômica, normalmente denominada economia subterrânea.

Agora sabemos que 1/3 das pessoas com capacidade ativa de trabalho, estão na linha da pobreza e precisarão obter ajuda do Governo Federal, Estadual ou Municipal, para poderem sobreviver em seu dia a dia. O  programa social do Governo Federal, trabalhavam com um numero de 35 milhões e agora sabem que realidade deverão ser planejados para uma população de 75 milhões, distribuídas em funções as mais diversificadas possíveis : vendedores ambulantes, pedreiros, pintores, costureiras, boleiras, doceiras, costureiras, mecânicos, eletricistas, borracheiros, e nano-empreendedores em geral) cuja renda vem das atividades diárias que desenvolvem e que muito raramente cobrem custos de suas necessidades básicas como  : aluguel, saúde, alimentos, escola, e outros.

São brasileiros como os demais e lutam por sua sobrevivência, tem desejos de consumo básico , roupas, sapatos, o frango assado no domingo, tomar uma cachaça para sonhar com dias melhores, um futuro melhor para seus filhos, lembrando que esses filhos  frequentam a escola pública (índice Pisa no final da fila) e a possibilidade de ascender social e academicamente, próxima a “zero”  constituindo uma nova geração de “nem nem” (nem estuda e nem trabalha) , que quando consegue se graduar vai automaticamente engrossar as fileiras da  desesperança de ascensão social .Determinada por uma possível ausência de conhecimentos dos pais e mais ainda pela dificuldade destes em entender o cenário social em que habitam os filhos também não mudam de trajetória social e quando repetem a dos pais, acrescentando-se dificuldades como a maternidade precoce que lhes limitam e reduz a possibilidade de frequentar uma boa escola, no momento adequado para tanto e disputar, em condições menos desfavoráveis, um emprego formal, regular e inclusivo no cenário de consumo estável da sociedade, afastando para a Terra do Nunca a leve e vulnerável Bruma de Avalon da escalada social, meritória. Os invisíveis econômicos, como as(des) empregadas domésticas, os(re) vendedores de farol de trânsito formam um rebanho fácil para os traficantes e bandoleiros de plantão aliciarem, em tropas a seu serviço. É difícil acreditar que eles possam ser culpados por escolher um caminho de ilegalidade em idade tão tenra, sem questionamento a anômala distribuição de renda que ameaça o País. Quando temos a informação que cinco pessoas no Brasil, são detentores de 50% de todo o PIB nacional, o equivalente as rendas de 110 milhões de brasileiros. Existe um fosso com as dimensões do  “grand canyon” americano entre a classe dos abastados, que vivem confortavelmente usufruindo as benesses do capitalismo “meritocrático”  e aqueles que perambulam invisíveis no fundo do poço econômico, sem chances de subir para a próxima classe, formando um exército de espectros que rondam, já não mais a Europa apenas, mas nossa vizinhança próxima em busca de coisas para fazer, dispostos ao trabalho nas condições mais precárias mais impensáveis. Os mandamentos da civilidade.

Saneamento básico, água potável encanada, móveis, mantimentos guardados, certamente não fazem parte do quotidiano deste exército de invisíveis, que saem todos os dias como roedores de suas tocas, para conseguir sua sobrevivência e que  agora com a pandemia, não podem conseguir seu sustento ? água encanada e sabão para lavar as mãos e muito menos isolamento social em cômodos que caberiam três, mas vivem oito pessoas . Mas do alto de nosso conforto, com casa iluminada, água encanada e quente, muita comida e bebida, automóvel, salário garantido, convênio médico e Netflix, etc não conseguimos enxergar os desvalidos brasileiros como nós e não nos importamos com eles, como se fossem descartáveis e não possuíssem  talentos, qualidades, sonhos,  preocupações. Abandonamos todos eles para o “Estado” cuidar, e como Poncio Pilatos, lavamos as nossas mãos e nos livramos de nossa responsabilidade sem nos importarmos  verdadeiramente com esta massa de despossuídos na falta premissa de que não tiveram mérito para ascender socialmente enquanto na verdade tudo passa como que são brasileiros como se como se eles tivessem de lutar de mãos limpas (barraco na favela, escola pública, sem renda), contra alguém com uma metralhadora nas mãos (casa grande, boas escolas, proteção, e renda garantida),  mesmo assim, continuamos os relegando  uma massa que caminha para o matadouro para ser dizimada pelo capitalismo selvagem e crendo que este é o destino deles desde o nascimento. A pandemia do covid 19 embora dramática não mudará sua forma de ver seu semelhante, mesmo que esteja a um braço de distancia de sua vista, mas poderemos entender melhor como chegamos até aqui.

Imagens: Freepik

Um comentário em “Descobrimos que temos um imenso Fosso Econômico no Pais.

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    julho 1, 2020 em 1:17 pm
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    Com muito bom senso. Mas.com um cenário. Trágico

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