PORQUE O PREÇO DA CARNE NO BRASIL DISPAROU?

Algumas variáveis internacionais contribuíram para a alteração da carne dentro do território nacional, pois não podemos deixar de verificar que a carne é uma commoditie e seu preço é regulado pelo mercado internacional.

A contribuição mais significativa foi o rebanho de porcos da China que foi dizimado por uma doença e fez com que os asiáticos fizerem a migração para a carne bovina para atender seu mercado de um bilhão de habitantes, e isto é corroborado por uma autorização do Governo Chinês, de autorizar mais treze frigoríficos brasileiros a venderem carne para o país.

Também outro fator de singular importância, foi o dólar alto, onde compensa mais os frigoríficos exportarem seus estoques, em detrimento do mercado interno e o que é vendido no mercado nacional, sua cotação seguiu o preço da tonelada internacional. Ou seja, em novembro/2018 a cotação internacional era de 3.092,00 dólares a tonelada e em outubro/2019 o valor passou para 4.860,00 dólares a tonelada, motivo de os valores internos serem alterados, pois acompanham os preços internacionais.

Atualmente o preço do contra-file subiu 50% e do coxão mole subiu 46%, e como um boi demora em torno de 18 meses para o corte, e os pastos não estão abastecidos com uma quantidade tão grande como quer a demanda interna e externa, certamente haverá um período grande para os preços serem restabelecidos dentro do território nacional.

Os três países maiores fornecedores de carne do mundo são EUA, Brasil e Austrália e todos não têm estoques suficientes para uma demanda de 1 bilhão de chineses, sedentos de consumo desta proteína e inicia-se um jogo internacional de produção, demanda, preço.

Os grandes institutos internacionais, acreditam na recuperação produção chinesa de porcos, reequilibrando novamente o mercado internacional, e com a recuperação de seus rebanhos seu apetite pela proteína advinda dos países produtores, seja estabilizada e os preços retornem ao patamar anterior desta busca incessante dos asiáticos no mercado internacional para abastecer seu consumo interno.

 

 

O consumo de carne no Brasil, consome em média três por cento da renda do brasileiro e neste momento, e que não sabemos até quando deve perdurar, creio que a forma mais correta é migrar para o consumo de outras carnes, que estão com os preços estabilizados: frango, coelho, cabrito, peixe, porco, etc e aumentar o consumo de legumes na alimentação diária, para suprir a proteína.

Não são Presidentes da República, Ministro da Agricultura, que determina preços de produtos internacionais, como as commodities, é o mercado internacional, e países que tem grande poder econômico que comandam a variação destes preços, de acordo com seu consumo e poder de barganha internacional. Não existem culpados nesta equação, trata-se de uma batalha travada em campo fora das fronteiras brasileiras. E não se trata de comparação entre governos, quando o preço da carne era um e agora é outro e sim o preço internacional da época anterior e o de agora vigente.

Em breve os números de nossas exportações do agronegócio, nos grandes números nacionais, vão mostrar-se positivos no quesito exportação, suplantando até os de outros segmentos nacionais, pois os produtores, frigoríficos para alavancarem suas vendas , vão dar preferência para o mercado internacional, pois a cotação da paridade monetária do dólar, não mostra que vai decrescer tão cedo, pois nossa divida interna e externa não é das melhores e isto não se resolve com uma varinha de condão do Ministro da Economia Paulo Guedes. O dificit fiscal do Governo Federal é imenso e as reformas propostas, mesmo a já aprovadas para diminuir o dificit fiscal foram muito inferiores a proposta inicial e as outras reformas se arrastam a passos de tartaruga pelo congresso nacional e a conta destes fatores, sempre tem um que assume: os pagadores de impostos (que somos nós).

Estamos refém do mercado internacional, do déficit fiscal do Governo Federal, da vontade dos congressistas em votarem reformas em prol do País, da desigualdade de renda nacional (hoje cinco pessoas (bilionários nacionais) detém uma fortuna, equivalente a renda de cem milhões de brasileiros). Uma carga tributária equivalente a 37% do PIB (produto interno bruto). Temo para o dia que este povo brasileiro acordar e promover o corte das cabeças de seus reis (Legislativo, Judiciário e Executivo), que é uma casta de privilegiados, perante uma horda de desdentados que vagam pelo território nacional.

Brasil varonil…e agora José?

 

Fotos: Freepik

 

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