O que te leva a superar seus LIMITES?

 

Por: Gilberto Ragonha e Hélio Soares – GR News

 

 

 

Para os leitores entenderem, você é uma atleta amadora ou profissional?

Sou atleta amadora, iniciei no triathlon a 2 anos e por enquanto continuarei disputando provas na categoria amadora.

Você tem como explicar para um iniciante no esporte como é a vida de um atleta sem patrocínio?

No início da minha carreira, todas as despesas de provas desde treinamentos, manutenção de bicicleta, alimentação, foram todas bancadas por mim, as inscrições das competições também. O Triatlo é uma modalidade bem elitizada, porém eu sempre tive este sonho, então eu deixei de fazer coisas que eu gostava para investir no esporte, e um atleta iniciante tem que levar isso a frente para que ele possa ser visto, para que o trabalho como atleta seja valorizado e desperte interesse em empresas e patrocinadores que possam investir nele.

No dia anterior da sua primeira vitória, qual foi o seu sentimento interior? Você pensou, amanhã é o dia ou você estava focada em fazer uma boa competição?

Na minha primeira prova, a mais importante e que alavancou na minha carreira, foi um long distance (longa distância) que eu fiz em Pirassununga-SP. E foi a minha primeira prova de meia distância. Eu treinei muito para está prova, porém mesmo estando focada para ela, o meu objetivo era terminar com uma boa colocação e com o sentimento de dever cumprido. E tudo deu certo, os treinamentos foram muito bem encaixados, eu tive um tempo muito bom na prova e consagrei campeã geral. Mas eu sempre fui muito focada nos treinos e na competição.

No dia da competição, você lado a lado com outras atletas, no ponto da largada. Você se concentra, reza, analisa as adversárias ou pensa na tática?

Eu me concentro em fazer exatamente o que treinei, rezo sim e peço para Deus me guiar a fazer o que for do agrado dele. Agradeço também pelas minhas adversárias, pois sem elas não haveria competição. Assim me concentro para fazer o meu melhor.

 

 

Qual é a sua análise do seu desempenho em cada etapa do triatlo, natação, ciclismo e corrida?

Em relação aos treino as três modalidades exigem muito, com certeza! A natação é bem técnica, é a modalidade que eu venho desenvolvendo e a que eu tenho mais dificuldade.
O ciclismo é a minha grande paixão entre as três modalidades e onde vi a maior evolução durante todos esses anos de treinamento. E por fim, a corrida eu também gosto muito e é o que finaliza a prova, então nós temos que estar sempre bem para correr. Durante a prova, como a largada é a natação, é onde a adrenalina sobe e a gente tem aquele momento de nervosismo. Mas depois que eu estou está no mar, já consigo ficar mais tranquila e penso em sempre sair bem colocada para começar o ciclismo. O ciclismo, durante as provas, é o que demanda mais tempo, e sendo assim temos usar bastante a cabeça para fazer um bom pedal, sem gastar toda a força, porque você vai finalizar a prova com a corrida. Então é isso, o triatlo é a junção das três modalidades, onde temos que dosar a força, usar a cabeça para terminar a prova bem.

Se é um sonho, corra
atrás e faça valer a
pena!

 

 

Em qual momento você sentiu que poderia vencer a competição?

Bom, falando da minha competição no Rio de Janeiro em Setembro, que foi o 70.3 (Meio IronMan), eu saí da natação mais ou menos na 9ª colocação e por volta dos 20km de pedal eu já assumi a liderança do feminino
e continuei usando minha cabeça, dosando minha força para segurar essa colocação.
Ao final do ciclismo, foram 3 voltas de 7km de corrida, então em todos os retornos eu conseguia visualizar as minhas adversárias. Naquele momento eu, como eu estava me sentindo bem para correr e estava conseguindo manter meu ritmo na corrida, eu já sabia que poderia me consagrar campeã da prova.

Duas perguntas em uma: qual a sensação ao passar pela faixa de chegada e ao pisar no ponto mais alto do pódio?

Cruzar a faixa de chegada é uma emoção que toma conta da gente, são sentimentos de dever cumprido, de realização de um sonho, e estar no ponto mais alto do pódio é consequência disso tudo, de toda a determinação, de todos os desafios que enfrentei, e que vale muito a pena.

 

 

Depois dessa vitória como está sendo o seu treinamento para as próximas competições em 2019?

Bom, a minha temporada de 2019 vai iniciar agora em março com a minha primeira prova.
Eu tenho três provas neste primeiro semestre, todas de média e longa distância, onde a principal é o IronMan em Florianópolis, em maio. E no segundo semestre eu vou competir o mundial, na França. Então os treinos estão voltados para essas provas, tudo bem organizado e planejado pelos meus técnicos, e eu sigo firme em busca de novos sonhos.

Quais são as competições que você vai participar nesse ano e quais são as suas expectativas?

Como eu falei na pergunta anterior, eu tenho agora em março o GP Damha em São Carlos, que é uma prova que nada 1000m, pedala 100km e corre 10km. É uma prova de condições extremas, onde a largada é ao meio dia e com muitas subidas. É uma prova de preparação para a gente alinhar como estão os treinos. Em abril eu vou fazer o Meio IronMan, que é o Challenge, em Brasília, dia 21, e no dia 26 de maio faço o Iron Man em Florianópolis, que é de 3800m de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. E, para o segundo semestre, eu tenho em setembro o mundial na França, onde vou participar do Meio Iron Man, que é 1900m de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida. Também vou encaixar algumas provas depois do mundial, porém ainda não estão definidas, mas com certeza terei mais duas provas.

Vamos voltar um pouco no tempo. Faça uma retrospectiva do dia em que você começou a treinar até o dia de hoje?

A minha programação de treinos consiste, geralmente, duas modalidades por dia, intercaladas com sessões de musculação, fisioterapia e pilates. Também tem os treinos de finais de semana, que são os treinos mais longos, e que faço com o pessoal da cidade de Limeira, e também com os meus técnicos que são o Brown e o Rossano, da academia Acquação.
Meus treinos de musculação eu faço no meu local de trabalho, no Studio Oxy.

 

 

E qual é a mensagem que você pode dar para os atletas que querem iniciar nessa vida de triatleta?

Uma mensagem para os atletas que querem começar na modalidade do Triatlo é que, se isso for um sonho, eles devem sim correr atrás.
O Triatlo exige muito do corpo, muito da cabeça, os treinamentos são intensos, as provas são extremas, porém quando a gente quer alguma coisa, a gente corre atrás e faz valer a pena. Sempre procurar uma assessoria, um treinamento que seja especializado e ter muita determinação, porque a gente abre mão de muitas coisas para se dedicar ao Triatlo. Porém, é como eu digo: Se é um sonho, corra atrás e faça valer a pena!

 

Fotos: Carolina Bilato

 

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