O  Enfrentamento e os Desafios das Famílias na Contemporaneidade

A família patriarcal foi entendida como um grupo definido, estável, e perene na sociedade. Atualmente é preciso descontruir o conceito que elabora para que se possa entender como ela se apresenta hoje, no cenário contemporâneo.

A formatação da família dos últimos tempos mudou significativamente, há outras formas de agrupamento familiares admitidos pela Lei, junto com as transformações, também aumentaram os desafios para manter uma boa relação entre os familiares e enfrentar os desafios impostos.

No surgimento de um novo padrão desconhecido, instala-se um movimento desorganizativo, trazendo elementos estranhos e que necessitam de certo tempo para seu desvelamento e posicionamento social, seja ela de aceitação, rejeição ou apenas algumas restrições.

Atualmente, ainda se esperam que a família seja o refúgio do amor, afeto, acolhimento, manutenção econômica e obediência. Isso a história ainda não conseguiu mudar apenas apresenta novos discursos e formatações.

 

Entendemos sobre família a célula do organismo social que fundamenta uma sociedade, Lócus nascendo das histórias pessoais, instância predominantemente responsável pela sobrevivência de seus componentes, lugar de pertencimento, de questionamentos; instituição responsável pela socialização primária, pela introjeção de valores e pela formação da identidade, espaço privado que se relaciona com o espaço público. Vemos hoje a família modificar-se […] mas ainda é o “porto seguro” de jovens e crianças, […] a família enquanto organismo natural não acaba se mostra com novas reapresentações. Essa nova concepção se constrói atualmente, baseada mais no afeto no que nas relações de parentescos, consanguinidade ou casamento. Seja qual for sua configuração, as estruturas familiares reproduzem as dinâmicas sócio histórico existente. LOSACCO (2005, p.63)

 

A necessidade e o desejo de construções de novos relacionamentos conjugais (sejam quais forem) apontam para permanência das instituições sociais, em suas novas configurações, novos jeitos de serem. Relacionamentos permanentes, duradouros, que aproximam e se perpetuam, ainda fazem parte do imaginário cotidiano das pessoas. Falar sobre família é entrar em um universo supostamente conhecido, que tem sido explorado em seus conceitos e estruturas, tornando-se, assim um ambiente de transformações constantes, ressignificado.

Vários aspectos históricos interferiram e interferem na família levando-a comportar-se e expressar-se de diferentes modos, respondendo a estas intervenções e sobrevivendo ao tempo com novos padrões.

Os impactos destas mudanças são sentidos tanto em qualidade como em quantidades de suas concepções. As repercussões dessas mudanças tem sido objeto de estudo científico da observação constante na sociedade, que tem se mostrado rápida e eficaz em sua disseminação.

A família, por sua vez, também é um espaço de contradições. Ao tempo em que é considerada refúgio, lugar de intimidade e de afetividade. Também pode ser vista como lugar de violência velada ou até mesmo explícita, exigindo intervenção externa capaz de proteger aqueles que, com seus próprios recursos, não conseguem se defender e sair da rede construída pelos laços de sangue ou afetivos, negativos, que dificultam o rompimento com o ciclo doente que se gesta dentro da família. A esfera pública, neste momento, pode tornar-se uma aliada no controle destas relações de poder opressor, quando na intimidade da esfera privada a família não consegue se libertar de seus vínculos e superar suas limitações.

A Constituição Federal traz em seu Art. 226:
“A família base da sociedade tem especial proteção do Estado”
(C.F 1988)

 

No Brasil, a promulgação da Constituição Federal de 1988 assumiu características de um sistema de proteção social gerando a publicização de direitos, assegurando, mesmo que regimentalmente, estes direitos e assumindo competências nas diferentes esferas federativas.

É preciso pensar as configurações desta “nova” família, respondendo as “novas” requisições de padrão de vida contemporâneo. A família expressa à dinâmica da sociedade, ao considerar o movimento econômico e político da sociedade em que está inserida e mesmo tal movimento não elimina sua expectativa e o desempenho de suas funções e papeis.

O retrato familiar que se desenha hoje se baseia na qualidade das relações. Na maioria das famílias, a palavra solidariedade, convivência familiar e comunitária está fadada as famílias e restringem em seus ambientes individuais, cada indivíduo só pensa em si próprio, e às vezes na tal liberdade, etc.

Reflete, enfim que, tal como a modernidade, a família se define por um futuro incerto, pois, embora os entraves e constrangimentos sociais estejam presentes, os indivíduos constroem suas histórias.

 

Referências:

Constituição Federal. 1988 Art. 226

LOSACCO, Silvia. O jovem e o contexto familiar. INVITALLE, Mª Amália F. ACOSTA, Ana R. (org.) Família: Redes, Laços e Políticas Públicas. SP Cortez:  Instituto de Estudos Especiais. PUC/SP. 2005

 

Foto da Capa: freepik.com

 

 

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