A sindrome do pânico no divã.

Você certamente já ouviu falar sobre Síndrome do Pânico… A Palavra Pânico é proveniente do grego “panikon” que significa susto ou pavor que se repete. Normalmente é associada ao Deus Pã.

Segundo os cantos Homéricos, Pã veio ao mundo cantando e rindo. Todavia nasceu estranho, com face caprina, pés e chifres de bode, provocando a fuga de Dríope, sua mãe. Herpes, seu pai o acolheu, embrulhou-o em uma pele de lebre e o levou ao Olimpo. Lá todos os deuses se agradaram dele, provando que muitas vezes a incompreensão surge porque nem todos estão acostumados a olhar para além do corpo físico.

Pã normalmente está associado à natureza e aos instintos, sua simbologia está ligada ao corpo, a sexualidade e agressividade. Quando o que é reprimido e habitado nas sombras do inconsciente emergem na vida consciente, torna-se necessário buscar apoio para ser capaz de compreender o que tais conteúdos representam.

Muitas vezes podem estar associados a situações traumáticas de separação e abandono vividos quando bebê, por adoecimento da mãe, ocorrência de luto ou depressão pós parto, hospitalização prolongada da criança ou da mãe, dentre outros variados fatores que podem gerar a sensação de desamparo, inclusive o contexto atual, que por colocar o prazer em primeiro plano, não permite ao ser humano o contato com o desprazer, e a menor fagulha de frustração o mesmo sente-se lançado no vazio e no desamparo.

Para o adulto, o desamparo é protótipo da situação traumática que gera angústia. O adulto assaltado pelo pânico sinaliza que não conseguiu administrar a perda de algum ideal protetor ou vive com medo da perda do amor.

Colocando de forma mais compreensível, a Síndrome do Pânico pode ser compreendida por sinais corporais como aceleração dos batimentos cardíacos, sensação de perigo, paralisia, sudorese, tremores ou abalos, sensação de tontura, medo de morrer, medo de perder o controle, dentre outros. Sabemos que existem medicamentos especialmente formulados para atuar no tratamento dos sintomas, porém, será que medicamentos isolados de um tratamento resolvem o problema?

Imagine que um bebê apresente choro e febre, podemos medicá-lo com algumas gotinhas de analgésico na tentativa de aliviar a febre, todavia a febre é um indicativo de que existe algo de errado no organismo, é o alarme do corpo que nos comunica que existe algo mais a ser investigado, e da mesma forma o fenômeno do Pânico nos sinaliza que existe uma causa por trás dos sintomas. Ignorar o porque das crises e do mal estar é o maior desconforto de quem sofre com a Síndrome do Pânico. O paciente pode até desenvolver técnicas para lidar com as crises, todavia, isso não impedirá a repetição das mesmas.

O tratamento psicanalítico é eficiente para pacientes com Síndrome de Pânico, exatamente porque que postula o Inconsciente como algo que necessita ser considerado no processo terapêutico.

A partir de uma escuta diferenciada da fala do paciente, o analista irá coletar sinais do material que é inconsciente, elaborá-los, construir um saber sobre tal material, só então promover o contato com questões que podem ser angustiantes, porém de forma mais clara e objetiva, no tempo do paciente.

A vontade de melhorar, aliada ao comprometimento do paciente com o processo de análise é o que faz o ponteiro do relógio se locomover com maior velocidade em direção da remissão dos sintomas. Todavia, mais importante que a cura, o olhar lançado para dentro de si mesmo promove o pensar, isso traz consigo renovo e promove um lugar todo especial, propício para o processo de transformação, e esse também é o objetivo da análise.

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